Obesidade e Doença Coronariana

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Obesidade e Doença Arterial Coronariana: Papel da Inflamação Vascular

Obesity and Coronary Artery Disease: Role of Vascular Inflammation

Fernando Gomes, Daniela F. Telo, Heraldo P. Souza, José Carlos Nicolau, Alfredo Halpern, Carlos V. Serrano Jr.Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - São Paulo, SP - Brasil

Obesidade como problema de saúde pública

A obesidade é considerada atualmente uma epidemia global – um importante problema de saúde pública, principalmente em países ocidentais. De acordo com os dados recém-publicados nos Estados Unidos, 67% da população adulta sofre de sobrepeso, enquanto 34% apresentam obesidade, representando um aumento de 75% em relação a 1991. Pela primeira vez na história da humanidade o número de pessoas com excesso de peso ultrapassou o de pessoas com desnutrição, passando de um bilhão e cem milhões de pessoas acima do peso em todo o mundo.

Excesso de peso está associado a aumento de morbidade e mortalidade, sendo que nos Estados Unidos se espera, pela primeira vez desde a Guerra Civil, uma diminuição da expectativa de vida decorrente das doenças e distúrbios relacionados à obesidade - o que inclui hipertensão, dislipidemia, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

No Brasil, dados da Pesquisa de Orçamento Familiar de 2003 revelaram que o excesso de peso afeta 41,1% dos homens e 40% das mulheres, dentre os quais são considerados obesos 8,9% dos homens adultos e 13,1% das mulheres adultas. Podemos, portanto, considerar a obesidade como o fator de risco mais comumente encontrado nos países industrializados e em desenvolvimento .

Obesidade como fator de risco para doença arterial coronariana

A associação com fatores de risco clássicos para doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, diabete melito, dislipidemias e síndrome metabólica, é conhecida há bastante tempo. Porém, o conhecimento mais recente de que, mesmo após o controle dessas doenças associadas, o risco de eventos cardiovasculares permanece elevado, fez com que hoje em dia se considere a obesidade como fator de risco cardiovascular independente.

A associação entre obesidade e doença arterial coronária clinicamente significativa é evidente em dois estudos prospectivos clássicos de longo seguimento: o Framingham Heart Study e o Nurses Health Study.

O risco relativo para doença arterial coronária (DAC), partindo de adultos com índice de massa corpórea (IMC) de 21 kg/m², aumentou de 1,19 para pacientes com IMC de 21 a 22,9 kg/m², e para 3,56 em pacientes com IMC maior do que 29 kg/m².

A relação entre obesidade e morte por doença cardiovascular é ainda mais evidente quando se considera pacientes com obesidade abdominal. No estudo TRACE (Tandolapril Cardiac Evaluation), uma análise de banco de dados mostrou aumento de mortalidade em torno de 23% em comparação com  pacientes que não tinham obesidade abdominal, já excluindo influência de diabete e hipertensão arterial.

Quando se analisam pacientes com doença cardiovascular conhecida ou após infarto agudo do miocárdio, o aumento do IMC se correlaciona inversamente com o aumento de mortalidade.O excesso de peso associado ao acúmulo de gordura na região mesentérica é uma obesidade do tipo central, visceral ou androgênica. É sabido que a chamada obesidade visceral está associada a uma maior mortalidade que a obesidade periférica. A causa dessa diferença se deve ao fato do tecido adiposo visceral ser metabolicamente mais ativo do que o tecido adiposo subcutâneo, causando, por exemplo, uma maior produção de glicose e, consequentemente, diabete melito tipo 2 e hiperinsulinismo. Essa secreção maior de insulina ocasiona retenção de sódio, resultando em hipertensão arterial sistêmica.

Essas condições caracterizam a síndrome metabólica, atualmente considerada um desafio de saúde pública, pois representa uma substancial elevação de risco para diabetes melito (duas vezes), bem como para doença cardiovascular (duas a três vezes).

A obesidade é caracterizada por excesso de tecido adiposo, com consequente ganho de peso, e associada a diversas comorbidades. Antes considerado mero e passivo depósito de triacilglicerol e ácidos graxos livres, hoje o tecido adiposo é visto como importante órgão endócrino e parácrino, produtor de diversas substâncias pró-inflamatórias.

 

Obesidade, doença arterial coronariana e inflamação vascular


Por muitos anos, a fisiopatologia da aterosclerose era considerada meramente um acúmulo de lipídios na parede arterial. No entanto, nas últimas duas décadas, o crescente desenvolvimento no campo da biologia vascular tem esclarecido que as lesões ateroscleróticas são de fato uma série de respostas celulares e moleculares altamente específicas e dinâmicas, essencialmente inflamatórias por natureza.

 

Conclusões

A obesidade é um distúrbio crônico metabólico associado à DAC, com índices de morbidade e mortalidade aumentados. O processo inflamatório não só causa disfunção endotelial como desencadeia proliferação e migração celulares, estresse oxidativo, apoptose, trombose e necrose celular. As adipocinas têm importante papel nesse processo, principalmente na disfunção endotelial. A perda de peso, embora sem comprovação científica para diminuição de mortalidade, parece reduzir risco para DAC e diabetes melito, principalmente em obesos.





Congresso Brasileiro de Arritmias Cardíacas 2016 - Dr.
 
Associação Entre Apneia Obstrutiva do Sono e Infarto Do Miocárdio: Uma Revisão Sistemática -

Resumo

A apneia obstrutiva do sono (AOS) tem sido associada a fatores de risco cardiovascular, porém a relação entre a AOS e doença cardiovascular ainda é controversa.

 
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